Liderança científica do Brasil varia conforme tipo de parceria internacional
Estudo revela que a liderança do Brasil em colaborações científicas internacionais depende do modelo de parceria, com variações significativas em autoria e impacto de citação.

O Brasil desempenha um papel significativo nas colaborações científicas internacionais em ciências da saúde e da vida. No entanto, a forma como esses padrões variam entre parcerias Norte-Sul, Sul-Sul e triangulares ainda é pouco explorada. Um estudo recente analisou as colaborações internacionais do Brasil no período de 2010 a 2019, utilizando dados do Scopus com 362.860 publicações 1.
Tipos de parcerias e liderança científica
A pesquisa identificou três modelos de colaboração: Brasil com países de alta renda (BR–HIC), Brasil com países de baixa e média renda (BR–LMIC) e Brasil com ambos (BR–HIC–LMIC). As colaborações internacionais quase dobraram, com a cooperação triangular crescendo mais rapidamente, embora isso não tenha sido acompanhado por um aumento proporcional na liderança de autoria brasileira. A liderança científica, medida pela posição de primeiro e último autor, variou significativamente entre os modelos: 75% em BR–LMIC, 67% em BR–HIC e apenas 31% em parcerias triangulares 1.
O impacto das citações também seguiu uma hierarquia clara: 49% das colaborações triangulares estavam entre as 10% mais citadas, comparado a 34% para BR–HIC e 22% para BR–LMIC. Isso sugere que o Brasil ocupa posições contextuais dependentes nas redes de pesquisa global, influenciando como os frameworks bibliométricos avaliam liderança e equidade nas colaborações internacionais 1.
A especialização temática também diverge entre os modelos. Parcerias BR–HIC abrangem várias áreas, enquanto colaborações triangulares se concentram em ensaios clínicos. As parcerias BR–LMIC, por outro lado, alinham-se com os campos de maior índice de especialização do Brasil: Ciências Agrícolas e Biológicas e Ciências Veterinárias 1.
A avaliação da atuação de um país na ciência global frequentemente utiliza indicadores como a proporção de artigos em colaboração internacional e a frequência dessas colaborações. No entanto, esses indicadores não respondem a questões importantes sobre liderança, impacto e agendas científicas. A colaboração internacional não é homogênea, e diferentes modelos de parceria podem envolver variadas formas de financiamento e definição de agendas 2.
O estudo destaca a importância de considerar diferentes indicadores para avaliar o papel do Brasil nas redes internacionais de pesquisa. A liderança e o impacto de citação variam conforme o modelo de colaboração, revelando um retrato distinto da atuação científica do país 2.
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