Nova Escala de Polaridade Geomagnética para o Cretáceo Tardio ao Eoceno
Cientistas desenvolveram uma nova escala de polaridade geomagnética para o período entre 83 e 33 milhões de anos atrás, integrando dados de anomalias magnéticas marinhas, datas radioisotópicas e astrochronologia.

A Escala de Polaridade Geomagnética (GPTS) é fundamental para datar eventos geológicos e reconstruir movimentos de placas tectônicas. Tradicionalmente, a GPTS é baseada em registros de anomalias magnéticas criadas pelo espalhamento do assoalho oceânico, calibradas por algumas datas radioisotópicas. Recentemente, a construção da GPTS tem se voltado para a astrochronologia, onde a magnetostratigrafia é datada a partir de ciclos astronômicos registrados em sequências sedimentares selecionadas. Um novo estudo propõe uma GPTS para o período do Cretáceo Tardio ao Eoceno, utilizando três fontes de dados: 20 datas radioisotópicas, 97 durações de magnetocronos da astrochronologia e 154 trilhas de anomalias magnéticas de treze regiões de flanco de dorsais oceânicas 1.
Método de Construção
A equipe de pesquisadores argumenta que a combinação de diferentes tipos de dados, cada um com erros independentes, proporciona uma GPTS mais bem definida. Eles utilizaram uma formulação bayesiana e um algoritmo de Monte Carlo por Cadeias de Markov (MCMC) para gerar uma grande amostra de GPTSs que se ajustam aos dados radioisotópicos e astrochronológicos, minimizando flutuações nas taxas globais de espalhamento do assoalho oceânico. As melhores estimativas das idades e durações da GPTS são as médias dos valores amostrados pelo MCMC, e as incertezas são quantificadas pelas desvios padrão das amostras 1.
A nova escala de polaridade geomagnética confirma uma mudança significativa nos movimentos das placas tectônicas entre 50 e 45 milhões de anos atrás. Nesse período, a colisão entre a Índia e a Eurásia reduziu a taxa de espalhamento no Oceano Índico, enquanto as taxas de espalhamento aumentaram no Pacífico Norte e no Atlântico Sul 1.
A abordagem utilizada no estudo pode servir como modelo para a construção de futuras escalas de tempo geológico. Além disso, ela demonstra que escalas de tempo de alta resolução com durações derivadas da astrochronologia podem ser confiáveis para períodos onde não existem anomalias magnéticas marinhas, como a maior parte do registro geológico 2.
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