Estudo revela comportamento das falésias de gelo na Antártida
Pesquisa com dados de satélite mostra que a estabilidade das falésias de gelo na Antártida depende de mais fatores do que apenas a altura.

Com o aumento das temperaturas, as plataformas de gelo que sustentam as bordas da calota polar antártica estão derretendo e se desprendendo em taxas recordes, deixando para trás falésias de gelo sólido. A estabilidade dessas falésias expostas pode influenciar como a Antártida se fragmenta e contribui para o aumento do nível do mar globalmente 2.
Cientistas haviam assumido que a estabilidade de uma falésia de gelo depende principalmente de sua altura. Falésias com mais de 100 metros de altura deveriam desmoronar sob seu próprio peso, expondo falésias mais altas e internas que também desmoronariam. No entanto, um estudo recente desafia essa ideia 2.
Pesquisadores do MIT e do Woods Hole Oceanographic Institution (WHOI) analisaram mais de 15.330 falésias de gelo na Antártida, monitoradas por satélites ao longo de quatro anos. Eles observaram como essas falésias e a calota polar evoluíram ao longo do tempo. Descobriram que as falésias que desmoronaram fizeram isso mais rapidamente do que os modelos científicos previam. Contudo, essas falésias se estabilizaram rapidamente após o desmoronamento, sem continuar a erodir a calota polar 1,2.
O estudo também revelou que a altura das falésias está altamente correlacionada com a espessura do mélange, a profundidade da água e a presença de fendas. Esses fatores influenciam a estabilidade das falésias e a velocidade com que elas se desprendem 1.
Desafios e próximos passos
Os resultados sugerem que as projeções de modelos podem subestimar as taxas subanuais de desprendimento de falésias. No entanto, a potencial instabilidade depende de outros fatores além da altura das falésias. A pesquisa destaca a necessidade de considerar múltiplos parâmetros para prever o comportamento das calotas polares 1.
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